sexta-feira, 25 de julho de 2008

PESQUISAS E FALTA DE ASSUNTO*

A METALINGUAGEM é um recurso muito utilizado por quem escreve com freqüência, mas esbarra na falta de assunto ou de idéias originais - um mal que atinge escritores, poetas, roteiristas, blogueiros, colunistas de jornal...

Consiste em começar um texto falando do processo de criação do próprio texto; de como a falta de tempo ou a rotina, onde pouco ou nada de novo acontece, provocam um desânimo na hora de começar as primeiras linhas.

Se você costuma acessar o Painel de Um Leitor deve ter percebido que nas últimas semanas fui acometido por esse tal "bloqueio criativo". Mas parece que hoje a "falta de assunto" também pode acometer grandes jornais, como a Folha.

O caderno Brasil, da edição da sexta-feira passada (25/07), teve seis de suas nove páginas (66%) dedicadas à publicação da mais recente pesquisa Datafolha para as eleições municipais de outubro. Como era de se esperar, o foco se concentrou nas principais capitais (São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Belo Horizonte e Recife).

Em geral, os textos e gráficos são muito parecidos, se limitando a atualizar o quadro de 20 dias atrás, quando foi realizada a última pesquisa. Um empilhado de números, porcentagens e dados que pouco acrescentam em matéria de reflexão para o (e)leitor.

Será que não havia outros assuntos tão ou mais relevantes que a corrida eleitoral? O principal concorrente, "O Estado de S. Paulo", por exemplo, deu manchete de primeira página para a multa de R$5,2 mi imposta pela Justica a líderes do MST, condenados a indenizar a Vale pela interdição de uma ferrovia por sem-terra em abril.

Na Folha o assunto ocupou quase o espaço de uma nota.

Tenho um grande pé atrás (tamanho 46) com pesquisas de intenção de votos. Para resumir o meu ponto de vista acho válido reproduzir uma troca de emails que tive com Clóvis Rossi (foto) - um dos colunistas que volta e meia, apela para a metalinguagem - A primeira mensagem é uma carta que mandei para o Painel do Leitor com copia pra ele:

Painel de um Leitor: Clóvis Rossi tem toda razão em criticar o jornalismo apressado e descuidado que, baseado em pesquisas de opinião, tenta 'cravar' os acontecimentos futuros ('Fast journalism', A2, 10/01). Entretanto, o texto do nobre colunista deixa uma pergunta: Por que acreditar nos levantamentos que supostamente dão 'vantagem de uns 20 pontos' a Hillary Clinton nacionalmente, quando em tese os mesmos institutos de pesquisa erraram feio ao colocar Barack Obama até 13 pontos à frente em New Hampshire? Um erro dessa magnitude num país como os Estados Unidos coloca em dúvida a credibilidade das pesquisas de intenção de voto, e dá argumentos àqueles que acreditam que elas são mais capazes de induzir do que de prever resultados.


Clóvis Rossi: Bom argumento, William. Mas que outro instrumento está disponível para medir os humores do eleitorado? Abs. Rossi.


Painel de um Leitor: Concordo. Infelizmente não há outro meio mais eficaz de avaliar as tendências de voto.

Mas então surge outra pergunta: A quem realmente interessa medir os humores do eleitorado?

Ontem assistia na CNN a uma entrevista do Jon Stewart com o responsável por um importante instituto de pesquisa americano (se não me engano se chama Zogbi). Diante da "barriga" histórica de New Hampshire, ele questionava se as previsões eram realmente relevantes, se influenciavam a decisão das pessoas. O entrevistado se saiu com evasivas.

Os grandes beneficiados pelas pesquisas são os próprios candidatos e seus partidos - por motivos óbvios - e a mídia, que suprime a ausência de pautas com a divulgação de resultados de pesquisas quase semanais. Os jornais garantem capa e ao menos duas páginas recheadas de infográficos e repercussões que pouco acrescentam.

Isso só contribui para a "personificação" das disputas eleitorais. As pessoas passam a discutir nomes e não programas ou idéias. Seria utópico imaginar um cenário onde as pessoas pudessem escolher seus candidatos sem a influência de pesquisas - proibi-las seria antidemocrático, mas a imprensa enquanto defensora do interesse público, a despeito de seus interesses particulares, poderia e deveria contribuir mais alterar essa situação.


Clóvis Rossi: Não concordo, não. Acho que pesquisas são uma informação na imensa massa de informações disponíveis em eleições. Só isso e tudo isso. Abs. Rossi.

*Post atrasado. Deveria ter saído no último sábado (26/07).

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quinta-feira, 10 de julho de 2008

O SENHOR DA CORRUPÇÃO


ATÉ O MOMENTO, muito boa a cobertura da Folha sobre a operação da Polícia Federal que levou à prisão do banqueiro Daniel Dantas e do ex-prefeito Celso Pitta, entre outros. Ampla e equilibrada.

Melhor ainda sua atuação no desenrolar do caso, com a exposição do conflito de poder no Judiciário, que proporcionou o patético prende-e-solta do "maior corruptor da história", segundo a senadora Ideli Salvati (PT-SC).

Na verdade, o que me levou a tocar nesse assunto foi uma pergunta feita no fórum de discussão do UOL. O Portal queria saber se os internautas concordavam com o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que considerou 'desnecessária' a prisão e concedeu o primeiro habeas corpus, determinando a soltura de Daniel Dantas - o banqueiro, não o ator global homônimo, que teve sua foto publicada por um jornal da Bahia.

PENSANDO friamente e levando em conta o princípio da presunção da inocência, sim, a prisão é desnecessária. A Lei assegura que uma pessoa só deve ser privada da liberdade se condenada definitivamente ou representar risco às investigações ou à sociedade. O que deve ser questionado é a rapidez com que o presidente do STF agiu em favor do banqueiro, atropelando as instâncias inferiores do Judiciário.

Mas, por outro lado, a pergunta me lembrou uma cena de um excelente filme: 'O Senhor das Armas' (2005), de Andrew Niccol.

O personagem de Nicholas Cage, um traficante internacional de armas, tem seu avião carregado de fuzis interceptado por uma equipe da Interpol. Desesperado ele pousa em uma estrada de terra no meio da África e distribui o armamento à população miserável do lugar. Quando os agentes chegam ao local, o avião está vazio. Nenhuma prova.

Certo de que será liberado, ele ironiza o líder da equipe, que, incorruptível, impede um subordinado de matar o 'mercador da morte'. O personagem interpretado por Ethan Hawke diz então que pode detê-lo por um dia sem acusação formal. E o faz, por um único
motivo: seria um dia a menos em que ele exerceria sua atividade criminosa. Um dia a mais de vida para as centenas de vítimas de conflitos armados pelo mundo.

Não vejo diferença entre tráfico de armas e corrupção ativa, desvio de dinheiro público, evasão de divisas. Daniel Dantas também ironizou o Brasil. Disse que só se preocupava com a justiça de primeira instância, porque no STJ e no STF resolveria tudo. De fato resolveu.

Mas os 3 dias de "trab
alho" que perdeu pela ação do Ministério Público, da Polícia Federal e do juiz Fausto De Sanctis, já valeram a pena. Para demonstrar ao Brasil que há setores da sociedade comprometidos com o combate à maior de nossas mazelas: a impunidade, que é filha primogênita da lentidão da nossa Justiça.


PS - Precisa ser melhor esclarecida a relação entre Gilmar Mendes e Daniel Dantas. Houve gritaria geral diante de um suposto grampo no gabinete do ministro. Pergunto: O STF está acima de qualquer suspeita? Não pode ser investigado? Quem investiga o STF? O Conselho Nacional de Justiça, presidido por Mendes?

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terça-feira, 8 de julho de 2008

ANTES TARDE DO QUE MAIS TARDE

AINDA NA ESTEIRA de elogios à edição deste domingo (08/07) da Folha, o caderno Dinheiro enfim trouxe uma reportagem ampla sobre a acirrada disputa pelo mercado de TV por assinatura. O texto assinado por Valdo Cruz (TV paga abre disputa entre grupos de mídia) esclarece com competência o jogo de interesses que coloca em campos opostos gigantes do mercado de comunicação.
O único problema é o atraso. Difícil entender por que essa matéria não saiu há 20 dias, quando da troca de acusações públicas entre Grupo Abril e Sky/Globo pela retirada do ar da MTV Brasil pela operadora de TV por assinatura. Falei sobre isso no dia 18/06.

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segunda-feira, 7 de julho de 2008

O FUTURO SERÃO OS DOMINGOS!

Saída para os jornais impressos pode ser circular só
aos domingos, o que os transformaria em revistas.
Ou então, ter sete 'domingos' por semana.


ONTEM FUI DORMIR às 2h30. Infelizmente, não estava voltando de uma balada, nem de nenhum programa mais interessante. Estava lendo a Folha.

Confesso que a Fórmula 1, um certo enfado e o fantástico "The Doors - O Filme", de Oliver Stone, me impediram de cumprir a obrigação profissional de ler o jornal de domingo. Tarefa que comecei às 23h30, ao mesmo tempo em que assistia (ouvia) o Manhattan Connection - admito, gosto do programa, e arderei no mármore do inferno por isso.

Você pode estar se perguntando se o sono não atrapalhou a minha leitura. A resposta é não. Nem percebi as três horas passarem. Percebi sim que o hábito com que me comprometi quando escolhi o jornalismo deixou de ser uma obrigação. Gosto de ler jornal e sinto que me falta algo quando não leio.

E GOSTO MAIS AINDA AOS DOMINGOS. Há mais espaço para reportagens que fujam do banal e do corriqueiro, os textos são mais bem feitos, esmerados. Parece que a correria do dia-a-dia das redações é deixada de lado em nome de uma produção com qualidade diferenciada.

Diferenças que começam no número de páginas. Enquanto a edição de ontem da Folha teve 324 páginas de material jornalístico, contando publicidade e desconsiderando os classificados, o jornal de quinta-feira (03/07) teve 120, acrescidos os cadernos Turismo e Equilíbrio. As edições de segunda então, nem se fale, ainda sofrem reflexos da antiga e antiquada tradição de jornalistas não trabalharem aos domingos.

Nesse caso, quantidade significa qualidade. Em meio a divulgação dos resultados da mais recente pesquisa Datafolha para as eleições municipais, várias reportagens se destacaram, como o 'perfil' de moradia dos candidatos a prefeito de São Paulo, o panorama do programa de combate à AIDS de Uganda, que é sucesso em comparação ao nível de contágio em outros países africanos, e um raio-x sobre a situação da Ferrovia Norte-Sul, obra que se arrasta há 20 anos e que (ainda) promete uma revolução agrícola nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Em comum, essas três reportagens tem o componente do repórter na rua, gastando a sola do sapato e indo atrás da história. Seja ao se dirigir à mansão de R$5,6 milhões de Paulo Maluf na Av. Europa, seja ao acompanhar o processo de colocação de trilhos no interior do Tocantins, seja viajando até o coração da África para ver a pregação de abstinência e fidelidade de ONGs religiosas, o repórter experimenta os fatos e trás aos leitores uma visão muito mais rica da realidade.

Como se contaria por telefone, da redação, a curiosa e fascinante história do padre de Votuporanga, interior de São Paulo, que é famoso por descobrir, preparar e lançar misses em concursos Brasil e mundo afora? Impossível.
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Voltemos à realidade

Pelas sempre declaradas limitações financeiras é complicado esperar das grandes empresas de comunicação, no caso, as de jornais impressos, que se mantenha um padrão tão elevado de qualidade jornalística durante os sete dias da semana. Viagens, estadia, apoio fotográfico e de produção, bons profissionais e o espaço (papel, impressão) custam caro.

Mas talvez essa seja a única saída diante da crise.

Em entrevista pouco antes de assumir o cargo de Ombudsmann da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva disse que jornais terão de "encontrar seu novo papel" diante da concorrência da Internet, que tende a se popularizar cada vez mais e suplantar a necessidade de informação instantânea das pessoas. Essa é uma visão que já está amplamente disseminada entre os que pensam a comunicação, mas ainda não está claro qual papel será esse.

Para Lins da Silva "a saída [...] é apostar na profundidade, na qualidade e ter mais foco, tratar de menos assuntos". Concordo e acrescento a visão do grande Fernando Morais, que em entrevista à Revista Preá, em 2005, disse que a tendência dos jornais impressos é voltar a se concentrar nos grandes assuntos, nas grandes reportagens - nas quais foi um dos maiores nomes nas décadas de 70 e 80 - e deixar o jornalismo hard-news para a Internet.

Oxalá!

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quarta-feira, 2 de julho de 2008

PIADA PRONTA

ME DIGAM, é excesso de malícia da minha parte ou o Gilberto Dimenstein [foto - sim, é ele mesmo] tá contribuindo com a coluna do Zé Simão?


'Professora dá lição de prazer'



Êta titulozinho sem-vergonha!

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sexta-feira, 27 de junho de 2008

INCOERÊNCIA E MANIPULAÇÃO

O QUE VOCÊ ENTENDE a partir desse título?

Na minha opinião só há uma interpretação: o Governo Federal está infringindo a lei eleitoral na tentativa de comprar o voto dos beneficiários do Bolsa Família para as eleições municipais de Outubro.

Partindo desse raciocínio a Folha está de parabéns, não é? Alerta nobremente seus leitores sobre mais uma manobra "eleitoreira", "imoral" e "ilegal" do governo Lula. A posição do jornal ficou mais clara ainda no editorial, publicado no dia seguinte (27/06), intitulado "Bolsa Eleição".

Tudo estaria perfeito não fosse uma manipulação grosseira da verdade, como escancarou o leitor Eduardo Valdoski no Painel do Leitor de sexta-feira: "A manchete da Folha de ontem (26/07) é um absurdo do ponto de vista jornalístico, porque, apesar de aparentemente ser verdadeira (pois a inflação do período realmente foi inferior a 8%), não leva em consideração quem é atendido por esse programa do governo federal. [...] os recursos do programa são gastos pelos beneficiados principalmente com alimentação, que, até o período, teve um aumento de preço maior do que 8%."

Para não ficar só na palavra do leitor, o mesmo dizem Estadão, G1, FGV e, pasmem, a própria Folha Online. Para piorar a situação, na coluna logo ao lado do editorial, Clóvis Rossi diz: "A [inflação] dos mais pobres (até dois mínimos) está em 8,5%. Pesada demais."

O que a Folha de S. Paulo esperava então, que o Governo apenas assistisse a corrosão do poder de compra de um benefício que garante a subsistência de 11 milhões de famílias?

O editorial reconhece que se faz necessário um reajuste para proteger uma das parcelas mais carentes da população brasileira, questiona apenas o seu "timing". Ora, se a inflação estourou mesmo de março pra cá, o que se deve fazer? Esperar as eleições precarizando ainda mais as condições de vida dessas pessoas?

É claro que também devem existir interesses políticos por trás dessa medida, mas quando eles estão em consonância com o interesse público não há o que questionar.

Pode-se contestar a política de transferência de renda, cujo carro-chefe dessa gestão é o Bolsa Família, de várias formas, como inclusive fez a Folha na edição de hoje com uma reportagem séria: "Bolsa Família aplaca a fome, mas não acaba com a miséria"; ou no artigo imperdível de César Benjamin, também na edição deste sábado. Há muito a melhorar, especialmente na contrapartida educacional e na inserção dos beneficiários no mercado de trabalho.

O problema é não reconhecer os resultados positivos que o programa vem atingindo na redução das desigualdades no Brasil, como apontou recente estudo de Ipea, assim como é inadmissível a perpetuação da visão preconceituosa de que o povo é ignorante e "vende" seu voto por um aumento de R$16 (na média).
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29/06 - 21h30

Nada como um dia após o outro:

Beneficiados do Bolsa Família são afetados por alta dos alimentos (Capa, 29/06)

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Devo me corrigir também; a coluna de hoje de Clóvis Rossi apresenta argumentos fortes contra a suposta redução da disparidade de renda anunciada pelo Ipea.

Ipea que inclusive é alvo de polêmica e tem sua credibilidade questionada em dois artigos, de Elio Gaspari e Fabio Giambagi.

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terça-feira, 24 de junho de 2008

QUE VENHAM OS PRÓXIMOS 25


NA SEMANA EM QUE sua coluna na Folha completa um quarto de século, Janio de Freitas (foto) nos apresenta mais um grande exemplo de jornalismo crítico e combativo.

Tem sido a única, ou uma das poucas vozes, a questionar se os fatos que cercam o assassinato de três jovens do Morro da Providência, ocorrido no dia 14 no Rio, realmente correspondem à versão dos militares que alegam tê-los entregado a traficantes de uma facção rival. E mais, aponta a inexplicável e incompreensível facilidade com que a imprensa e algumas autoridades - dentre elas a polícia, a quem cabe investigar - aceitaram como verdade o relato de suspeitos confessos de participação na morte de cidadãos inocentes.

Como relata o jornalista, talvez não seja tão "inexplicável" assim: "Os relatos mais aceitos e difundidos do envolvimento de um tenente, três sargentos e sete soldados do Exército no assassinato dos três rapazes estão minados por contradições e, como de hábito, pelas limitações investigatórias e noticiosas quando vitimada gente humilde ou envolvidos militares - quanto mais quando há os dois"

Numa situação hipotética, se os 46 tiros que estraçalharam os corpos dos três rapazes tivessem partido dos fuzis de um ou mais soldados, por ordem superior, não seria conveniente admitir um crime menor e transferir a culpa para criminosos sem rosto e já odiados pela sociedade?

Como refutar essa tese, se as armas dos militares não foram confiscadas para comparação com as balas disparadas contra David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17 ? Por que até este momento ninguém partiu em busca dos supostos assassinos? Se a versão do exército é verdadeira, então o tenente, os três sargentos ou ao menos um dos soldados deve conhecer a identidade dos traficantes - dado o grau de familiaridade que demonstraram.

Parabéns Janio de Freitas, pelos 25 anos de valorosos serviços aos leitores da Folha de S. Paulo.


PS - Ironicamente, durante a pesquisa para esse texto, descobri que não vem de hoje a "contribuição" das Forças Armadas para a violência no Morro da Providência; muito antes da "cobertura" do Exército ao eleitoreiro Projeto "Cimento Social", do senador e candidato à Prefeitura do Rio Bispo Marcelo Crivela (PRB): Ex-militar lidera tráfico no Morro da Providência (Portal Terra - 11/03/2006).

Links:


Os quatro artigos do jornalista sobre o caso (só p/ assinantes):
E uma ótima e rara entrevista com Janio de Freitas.

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